O Programa Guardiões da Água é um modelo de proteção da água liderado por indígenas, com foco na proteção de rios, nascentes, lagos e cursos d'água sagrados em territórios indígenas da Amazônia. Por meio de processos de escuta conduzidos por anciãos, líderes, mulheres e jovens, cada grupo definiu suas próprias prioridades para a proteção da água. O papel da Treesistance é acompanhar esses processos, fornecendo treinamento, equipamentos e apoio institucional, respeitando a governança e a tomada de decisões indígenas.
Para os povos indígenas da região do Tapajós, a água não é um recurso – é um ser vivo. Os rios guardam memórias, as nascentes carregam espírito e os cursos d'água sustentam a vida cultural, física e espiritual. Proteger a água é, portanto, um ato de cuidado, resistência e continuidade entre gerações. Lançado como projeto piloto em 2024-2025, o programa Guardiões da Água fortalece a autonomia comunitária, apoiando grupos indígenas no monitoramento, defesa e gestão de suas águas, utilizando uma combinação de conhecimento ancestral, presença territorial e tecnologia apropriada.
Os Guardiões da Água são treinados e equipados para:
O Programa Guardiões da Água está intimamente ligado à rede Guardiões da Floresta da Treesistance, fazendo parte de um sistema mais amplo de defesa territorial liderado por indígenas que reconhece as florestas e as águas como inseparáveis.
2023
Modelo cocriado com parceiros indígenas na Floresta Nacional de Tapajós
2024
O conceito foi premiado pela Oceanlove como uma abordagem inovadora e eficaz para a proteção dos rios na Amazônia.
2025
Fundos arrecadados e piloto lançado. Dois grupos guardiões da água formados na TI Takuara e na TI Bragança/Marituba
2026
3º Grupo Guardiões da Água formado em TI Kumaruara
Desde o seu lançamento, o Programa Guardiões da Água tem proporcionado resultados tangíveis em termos de proteção, ao mesmo tempo que fortalece a autonomia indígena sobre os territórios hídricos.
No território indígena Takuara, os Guardiões da Água mapearam e restauraram nascentes ameaçadas, monitoraram o rio Tapajós e confrontaram atividades ilegais de dragagem. Essas ações resultaram em denúncias formais e respostas diretas das autoridades públicas, levando à interrupção das operações ilegais.
Nos territórios indígenas de Bragança e Marituba, os guardiões concentraram-se no combate à pesca predatória, organizando patrulhas diurnas e noturnas, documentando invasões e interagindo com agências ambientais e federais para abordar falhas sistêmicas na fiscalização. Sua presença fortaleceu o controle territorial e reduziu as incursões em cursos d'água altamente pressionados.
Em ambos os territórios, os Guardiões da Água protegem atualmente mais de 168 quilômetros de margens de rios e cursos d'água ameaçados, salvaguardando ecossistemas aquáticos essenciais que sustentam comunidades indígenas e a bacia amazônica em geral.
Além das atividades práticas, o programa enfatiza:
Após o sucesso da fase piloto, a Treesistance está trabalhando com parceiros indígenas para:
O Programa Guardiões da Água afirma uma verdade simples: quando a água é protegida, a vida continua para as comunidades indígenas, para a floresta e para todos que dependem da Amazônia.
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